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APÓS CENAS DE GUERRA EM DIVISA, 1,2 MIL VENEZUELANOS DEIXARAM O PAÍS, DIZ EXÉRCITO

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Cerca de 1,2 mil venezuelanos deixaram o Brasil após os ataques ocorridos neste sábado em Pacaraima(RR), disse neste domingo (19) o coronel do Exército Hilel Zanatta, que comanda a operação Acolhida, de atendimento aos estrangeiros.

Segundo Zanatta, parte dos venezuelanos que saíram do Brasil estava no centro de triagem dos imigrantes que chegam ao país. O posto chegou a suspender os atendimentos no sábado. A fronteira, por onde passam atualmente cerca de 800 estrangeiros por dia, permanece aberta, mas o fluxo de imigrantes caiu pela metade, afirmou Zanatta.

"Cerca de 1,2 mil cruzaram a fronteira de volta. Aqui de dentro do posto [de atendimento aos imigrantes] a gente contabilizou 500 pessoas em atendimento, e acreditamos que o restante eram venezuelanos moradores [de Pacaraima] que regressaram a Venezuela por questões de segurança", afirmou o comandante.

Pacaraima, a 215 km de Boa Vista, é a principal porta de entrada dos venezuelanos no Brasil. Segundo a prefeitura, cerca de 1,5 mil imigrantes moravam nas ruas da cidade antes do tumulto – o número equivale a 10% da população local. Eles viviam em barracas improvisadas e em condições precárias.

Segundo o coronel Zanatta, desde o fechamento e reabertura da fronteira por ordem de um juiz de primeira instância no início desde mês, o fluxo na fronteira subiu de 500 para uma média de 800 por dia. Apesar disso, neste domingo, o município, que costuma ser movimentado mesmo aos fins de semana, amanheceu pacato. As ruas ficaram vazias, mas o centro comercial, que ficou fechado durante o tumulto de sábado, voltou a abrir as portas.



Mapa mostra localização de Pacaraima, cidade de fronteira com a Venezuela, em Roraima. (Foto: Roberta Jaworski/G1)


Ataques após assalto e agressão a brasileiro

O tumulto aconteceu no sábado após a família do comerciante Raimundo Nonato de Oliveira, de 55 anos, relatar à Polícia Militar que ele foi assaltado e agredido por venezuelanos na noite de sexta (17). Nenhum suspeito do crime foi preso até agora.

Ferido, ele teve que ser tirado da cidade para receber atendimento médico em um carro civil porque não tinham ambulâncias disponíveis no município - a do Hospital de Pacaraima Délio Tupinambá não estava na cidade e a da operação Acolhida não foi cedida.


No caminho até a capital, no entanto, o veículo em que Raimundo estava e a ambulância de Pacaraima se cruzaram, e ele foi socorrido e transportado nela até o Hospital Geral de Roraima, na capital.

Local onde antes havia acampamento de venezuelanos às margens da BR-174 agora tem só restos de objetos queimados (Foto: Jackson Félix/G1 RR)


Em retaliação ao ocorrido, moradores de Pacaraima se organizaram por redes sociais e atacaram acampamentos de venezuelanos. Os locais foram destruídos, queimados e os imigrantes foram mandados embora da cidade.

Com os ataques, muitos imigrantes deixaram Pacaraima. A maioria cruzou a fronteira e voltou para a Venezuela, mas também há relatos de alguns fugiram para áreas de mata e montanhas nos arredores do município.

No tumulto, a BR-174, que liga Boa Vista a cidade, ficou bloqueada com pneus e fogo por cinco horas. Estima-se que 1 mil pessoas participaram dos atos. Três brasileiros ficaram levemente feridos, mas não houve prisões, segundo a PM.

Um morador da cidade disse que alguns imigrantes revidaram aos ataques. Carros com placas brasileiras foram atingidos por paus e pedras no lado venezuelano da fronteira.

"Eu estava no meio dos confrontos. A gente foi para cima expulsando eles [venezuelanos] até o outro lado da fronteira, e eles revidaram com pedras e paus", disse o morador Wendel Vale.

Muitos venezuelanos cruzaram a fronteira a pé. Outros – cerca de 100 que haviam se refugiado em um posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda de Roraima – foram levados de ônibus até o lado venezuelano pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária Federal.

A delegada Geral da Polícia Civil de Roraima, Giuliana Castro, disse à agência Reuters que um grupo de 30 brasileiros que fazia compras na fronteira foi atacado por venezuelanos e precisou ser levado para um abrigo durante o tumulto.

A segurança no município foi reforçada pela PM e 60 homens da Força Nacional devem chegar à região na segunda. Neste domingo, o presidente Michel Temer se reuniu com ministros para avaliar a situação da fronteira.

"Foi um ato de vandalismo, mas foi preciso que acontecesse. Várias vezes pedimos ajuda às autoridades, mas não nos ouviram. Aqui não tem segurança. A população chegou ao seu limite e fez isso para que alguma atitude fosse tomada", relatou Kátia Souza da Silva, moradora de Pacaraima.
Ruas do Centro Comercial de Pacaraima ficaram vazias após dia de tumulto (Foto: Wendel Vale/Arquivo pessoal )

"O estopim é que depois do assalto ao brasileiro, não havia ambulância na cidade, pediram a que é usada pelos militares [da Operação Acolhida], mas não autorizaram. Isso gerou muita revolta", disse Kátia.

Em nota, a Operação Acolhida informou que uma tenente que atua na operação recebeu uma ligação da médica de plantão no hospital solicitando a ambulância, e "tentou explicar para ela que a ambulância se encontrava com o retrovisor quebrado, mas a ligação foi encerrada".

"As Forças Armadas disponibilizam, ainda, seus médicos para realizarem atendimentos no Hospital de Pacaraima e, regularmente, faz uso das ambulâncias da Operação Acolhida para devidas transferências de pacientes de Pacaraima para Boa Vista. Essa também é uma maneira de contribuir com a rede de saúde local", comunicou.



Local onde antes havia acampamento de venezuelanos às margens da BR-174 agora tem só restos de objetos queimados (Foto: Jackson Félix/G1 RR)


Crise migratória


Pacaraima é a porta de entrada para venezuelanos que fogem da crise política, econômica e social no país de origem e entram no Brasil - estima-se que 800 estão cruzando a fronteira todos os dias.

O governo federal diz que, entre 2017 e junho deste ano, quase 128 mil venezuelanos entraram no Brasil pela cidade. Mais da metade deles, porém, deixou o país: 31,5 mil, voltou para a Venezuela pelo mesmo caminho, e os outros 37,4 mil saíram de avião ou por outras fronteiras terrestres.



Neste domingo (19), venezuelanos continuam cruzando a fronteira do Brasil, mas fluxo caiu pela metade, segundo o Exército (Foto: Jackson Félix/G1 RR)

Ainda assim, muitos imigrantes que não tinham para onde ir e dinheiro para seguir viagem acabavam por viver acampados pelas ruas da cidade. A maioria ficava em condições precárias, já que o único abrigo público da cidade é exclusivo para índios venezuelanos e também está cheio.

Com isso, moradores afirmam que o fluxo migratório e o crescente número de venezuelanos em situação de rua gerou insegurança no município, aumentando os índices de crimes e violência.







Via G1
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