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“REZE PARA ALÁ OU MORRA”: O RETRATO DE UMA EUROPA PÓS-CRISTÃ

Os mesmos europeus que clamavam por paredes sem crucifixos agora têm bandeiras islâmicas pintadas nos muros de seus prédios. O secularismo na Europa realmente está com os dias contados.


"Reze a Alá ou morra": essas palavras foram pichadas, no começo deste mês, no muro de uma escola da cidade de Hovmantorp, comuna de Lessebo, ao sul da Suécia. Ao lado da frase, está o que parece ser uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico. A polícia foi chamada quando a inscrição foi descoberta, mas, até o momento, não há suspeitos para o crime. A diretora da escola declarou que a pichação fê-la sentir-se "desconfortável".

Embora a Suécia seja majoritariamente secularista – o país tem "um dos maiores números de ateus" do mundo –, já se estima que haja uma população de 500 mil muçulmanos na Suécia, a maioria composta por imigrantes vindos do norte da África e do Oriente Médio. Esse número já é muito maior que a quantidade de católicos e ortodoxos no país, que, somados, não chegam a 200 mil. Dos membros da comunidade luterana da Suécia – a maior denominação cristã do país –, "apenas cerca de 2% participam regularmente dos cultos aos domingos".

Para ilustrar o crescente domínio islâmico em uma Europa com cada vez menos cristãos praticantes, tome-se o exemplo de alguns edifícios, que antes abrigavam cultos cristãos, e que estão sendo pouco a pouco transformados em salas de oração para muçulmanos. Na cidade de Clitheroe, no Reino Unido, o que há 40 anos era uma igreja metodista hoje é uma mesquita. Em junho do ano passado, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, chegou a sugerir que o governo francês convertesse as suas igrejas católicas "abandonadas" em locais de culto islâmico. A população francesa reagiu e até fez um abaixo-assinado com o título "Não toque na minha igreja".

A verdade, porém, é que menos de 5% dos católicos franceses vão à Missa dominical, enquanto os muçulmanos, além de fazerem as suas orações, transmitem todas as suas tradições religiosas aos filhos, desde muito cedo – filhos, aliás, que eles têm em grande quantidade, enquanto as famílias europeias soçobram na esterilidade.

Todo esse quadro – igrejas vazias e mesquitas cheias, cristãos criando cachorros e muçulmanos doutrinando crianças – prenuncia uma mudança radical no continente europeu, que acontecerá em questão de poucas gerações. O que os "cavaleiros de Alá" não conseguiram no século VIII, graças à ação estratégica de Carlos Martel para defender as fronteiras da França, os seus descendentes farão por meios muito mais rápidos, sutis e eficazes.

Ninguém se escandalize com essa comparação, porque, mutatis mutandis, é este o quadro que se desenha e as notícias não nos deixam mentir: os muçulmanos estão realmente dominando a Europa. Se é verdade que há muitos imigrantes fugindo de regiões de conflito e procurando um ambiente de paz para abrigarem as suas famílias, também é verdade que essas pessoas têm uma religião e uma cultura próprias, e não vão simplesmente renunciar a elas só porque mudaram de território. As dezenas de cortes islâmicas operando ativamente à margem da lei britânica são emblemáticas. Onde entram os muçulmanos, entram também a lei e a tradição islâmicas, na sua crua integralidade, e não demora muito para que o Ocidente passe a conviver com aquilo que sempre deplorou em questão de direitos humanos – desde a inferiorização da mulher até a violência em matéria religiosa.



Embora alguém apressadamente sugira uma comparação de todo esse processo com as Cruzadas ou a Inquisição católicas, não existe paralelo. Nenhum desses episódios históricos se destinava a fazer o que o Islã faz desde que nasceu, na Península Arábica: propagar as suas crenças pela força da espada. As Cruzadas surgiram justamente para defender Jerusalém dos muçulmanos, que ameaçavam os peregrinos cristãos de visitarem os lugares sagrados pelos quais Jesus passou. A Inquisição, ainda que com os seus conhecidos abusos, era um instrumento para conter focos de perturbação social em reinos cristãos, e não uma máquina de proselitismo a qualquer custo. Basta estudar um pouco a história das duas religiões para descobrir um abismo evidente entre a religião dos mártires e o exército criado desde o começo por Maomé.

Certamente, também, não se trata de dizer que todos os muçulmanos são terroristas. Dentro do mundo islâmico, há quem deplore tudo isso, há pessoas verdadeiramente abertas ao diálogo. A carta assinada por 100 intelectuais e endereçada ao Papa Bento XVI, em 2006, como resposta ao seu discurso de Ratisbona, é um exemplo disso. Ao mesmo tempo, porém, que alguns o escutaram, dezenas de protestos foram convocados e uma freira italiana foi morta na Somália em retaliação às suas palavras. Ao mesmo tempo em que há eruditos muçulmanos contrários à violência, um acadêmico sírio foi preso recentemente em Frankfurt, na Alemanha, por defender o Estado Islâmico. Ele gravou um vídeo extenso dando argumentos retirados do Alcorão para mostrar por que ele, "como simples muçulmano", apoiava os terroristas do ISIS.

É perfeitamente compreensível, portanto, que um padre iraquiano venha a público declarar que "o ISIS representa cem por cento o Islã". De fato, a linha que divide o terrorismo e o chamado "verdadeiro islamismo" parece tênue demais para ser real. Pelo menos é esse o parecer dos especialistas que ainda não foram contagiados pela doença do "politicamente correto".

O jornalista palestino Abdel Bari Atwan, editor-chefe de um importante portal de notícias no mundo árabe, afirmou praticamente a mesma coisa durante uma conferência na Universidade Americana de Beirute:
"Por que o Estado Islâmico usa de selvageria? [...] Eu fico surpreso com as pessoas que dizem, 'essa ideologia embebida de sangue é estranha para nós, de onde eles tiraram isso, o Islã não é sangrento'. Como você pode dizer que o Islã não é sangrento? Não há nada de estranho nisso. Nos dias do Califado Abássida (750-1299), Abu Al-Abbas Al-Saffah estendeu um tapete em cima dos crânios das pessoas e, depois, teve jantar em cima dele […], e isso aconteceu em nossa região. […] Eu não sou nenhuma fonte de autoridade religiosa, mas quando o xeique de Al-Azhar, que lidera a instituição moderada da religião, se recusa a acusar o ISIS de heresia e diz que eles são muçulmanos, do que mais precisamos?"

"O terror que está abalando o mundo hoje não é um desastre natural, como um tornado, uma tempestade ou um terremoto, e não está sendo perpetrado por tribos selvagens, mas por pessoas que se alistam inspiradas por uma ideologia religiosa", escreve outro jornalista do mundo árabe, o iraquiano Fadel Boula. "Essas pessoas defendem o cumprimento e a propagação de seus princípios dogmáticos pela força da espada, e ordenam assassinatos, expulsões e destruição por onde quer que passem. (...) Todos esses crimes são perpetrados por aqueles que louvam a Alá dia e noite, que rezam fervorosamente e fazem tudo de acordo com a sua vontade."

Por isso, a mensagem pichada no muro daquela escola sueca não é totalmente estranha. Suas fontes estão no Alcorão (4, 89; 8, 12; 9, 5; 47, 4) e muitos a reivindicam como a verdadeira mensagem do Islã. Curioso, estranhamente curioso, é que os mesmos europeus que há uns dias clamavam por paredes sem crucifixos agora tenham bandeiras islâmicas pintadas nos muros de seus prédios. O secularismo na Europa realmente está com os dias contados.



Via Equipe Christo Nihil Praeponere

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