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ITÁLIA PRENDE GRUPO DE TERRORISTAS ISLÂMICOS QUE QUERIAM 'ATACAR ROMA'

Detidos em operação na Itália planejavam ataques em Roma (foto: ANSA)

Uma ação entre a a Justiça e a polícia da Itália emitiu e efetuou seis mandados de prisão contra moradores das províncias de Lecco, Varese e Milão nesta quinta-feira (28).

Um casal que morava em Lecco está desaparecido e os outros quatros já foram detidos por "associação e participação com finalidade deterrorismo internacional".

Segundo informação das autoridades, alguns das prisões falavam em possíveis atentados terroristas na Itália "com especial atenção para Roma", por causa do Ano Santo Extraordinário, também chamado de Jubileu, que foi convocado pelo papa Francisco.

Entre os alvos da ação estão a italiana Alice Brignoli, 39 anos, e seu marido, o marroquino Mohamed Koraichi, 31. Ambos estão desaparecidos desde fevereiro de 2015, quando sumiram com seus três filhos de sete, seis e 1,5 anos e, meses mais tarde, reapareceram em vídeos do grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis) na Síria.

Os dois estariam atuando também no recrutamento de aspirantes ao combate que moram na Itália. Prova disso, conforme as autoridades, foi a detenção de Abderrahim Moutaharrikum, jovem marroquino de 23 anos, residente na província de Varese. O jovem, que deveria se unir aos Koraichi, é irmão de Oussama Khachia, 30, que foi expulso da Itália em janeiro de 2015 por apologia ao EI em postagens no Facebook. Khachia teria se unido aos extremistas na Síria, depois de uma passagem pela Suécia, e morrido em combate no ano passado.

De acordo com a Procuradoria Distrital de Milão e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo, outro casal preso na ação - que vieram do Marrocos e tinham cidadania italiana, morando em Lecco - foi detido dias antes de embarcarem para a Síria com os dois filhos de dois e quatro anos.

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, parabenizou a ação integrada. "Operação muito importante nesta manhã contra os extremistas que moram no norte. Meus cumprimentos aos ministros, Inteligência, investigadores e forças de segurança #todosjuntos", postou o premier em seu Twitter.

Operazione stamani anti estremisti al nord molto importante. Complimenti a ministro, intelligence, inquirenti e forze ordine#tuttiinsieme— Matteo Renzi (@matteorenzi) 28 de abril de 2016


O ministro do Interior, Angelino Alfano, informou em entrevista para a mídia italiana que essas pessoas "estavam sendo induzidas a avaliar a hipótese de realizar atos violentos ou ataques na Itália". Já o procurador-adjunto de Milão, Maurizio Romanelli, revelou que houve o envio de uma mensagem, atribuída aos líderes do EI, no mês de abril que convidava seus membros a "efetuar atentados na Itália" através do chamados "lobos solitários" - aquelas pessoas que simpatizam com a causa, mas que não necessariamente foram treinados pelo grupos.

A Itália é constantemente ameaçada pelos jihadistas em vídeos e mensagens na internet. Há dois dias, o diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, afirmou em uma entrevista que havia "células adormecidas do EI" que estavam preparando ataques na Itália, Alemanha e Inglaterra - além dos tradicionais alvos França e Bélgica.

Áudios são divulgados

Após o pedido de prisão, as autoridades italianas divulgaram trechos das ligações telefônicas grampeadas de alguns dos acusados. Nelas, há planos de ataque contra o Vaticano e contra a embaixada de Israel em Roma.

"Para estes inimigos, eu juro que se conseguir colocar minha família à salvo, juro que serei o primeiro a atacá-los nesta Itália das Cruzadas, juro, juro, que ataco o Vaticano pela vontade de Deus", disse Moutaharrik em uma conversa com Mohamed Koraichi no dia 25 de março.

Ainda no áudio, Moutaharrik faz um "único" pedido para o marroquino: "é sobre a minha família, você sabe que quero que ao menos os meus filhos cresçam no califado do Islã".

Em outra interceptação, o jovem preso nesta quinta afirmou que queria "explodir" a embaixada de Israel em Roma. Entre os documentos apreendidos em sua residência, estava um "desenho para realizar um atentado" no local e anotações que apontavam que ele havia "contatado um homem albanês para comprar as armas", mas não efetuou a transação.

As autoridades italianas revelaram ainda que uma das pessoas levadas em custódia hoje era Wafa Koraichi, 24 anos, irmã de Mohamed, e que morava em Lesa. Segundo as investigações, o marido de Wafa não tinha nenhuma ligação com os extremistas islâmicos.

Nas buscas também foi encontrada uma foto dos três filhos de Mohamed Koraichi na Síria, com uma clara exultação ao martírio islâmico: as mãos apontadas para os céus e vestidos com roupas camufladas. Uma quarta criança aparece na foto e ela seria o filho de Oussama Khachia. (ANSA).

Via: ANSA Brasil

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