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FRANCISCO DEFENDE IGREJA MENOS RÍGIDA COM DIVORCIADOS


Francisco estabelece novas orientações sobre a família e casamento, num dos pronunciamentos mais importantes de seu pontificado. "Ninguém pode ser condenado para sempre", afirma.

Em um dos pronunciamentos mais aguardados de seu pontificado, o papa Francisco pediu nesta sexta-feira (08/04) uma Igreja menos rígida e mais compassiva com os católicos "imperfeitos" - uma mensagem entendida como uma abertura para aqueles que se divorciam e voltam a se casar.

No documento de 260 páginas chamado Amoris Laetitia ("a alegria do amor"), elaborado durante dois anos de consultas com bispos de todo o mundo, Francisco estabelece novas orientações sobre a família e ao casamento.

Ao apresentá-lo, Francisco citou o pastor e ativista americano Martin Luther King, o escritor e conterrâneo argentino Jorge Luis Borges e até o filme cult dinamarquês A festa de Babette para defender seu clamor por uma Igreja mais misericordiosa e amorosa.

O papa pediu a readmissão dos divorciados nos sacramentos, através de um processo de acompanhamento. Francisco indica um "caminho do discernimento" para que os padres analisem caso a caso a situações, permitindo a readmissão dos católicos "imperfeitos".

"É importante que os divorciados que vivem uma nova união sintam que fazem parte da Igreja, que não estão excomungados, e não são tratados como tal, porque sempre integram a comunhão eclesiástica", afirma o texto.

Comunhão

O documento não menciona ao acesso dos divorciados à comunhão, uma das principais reivindicações dos que voltaram a casar através dos registros civis.

Conforme os ensinamentos atuais da Igreja, divorciados não podem receber a comunhão a menos que se abstenham de sexo com o novo cônjuge, porque seu primeiro casamento ainda é válido aos olhos da Igreja e se considera que eles vivem em adultério, portanto em estado pecaminoso.

A única maneira de tais católicos poderem se casar novamente é receberem uma anulação, um veredicto religioso segundo o qual seu primeiro casamento jamais existiu por causa da falta de certos pré-requisitos, como maturidade psicológica ou livre arbítrio.


"Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Aqui eu estou falando não só dos que se divorciaram e voltaram a se casar, mas de todos, em qualquer situação em que se encontrem", disse o papa.

Segundo o texto, as uniões livres de heterossexuais ou aqueles que casaram apenas pelo civil podem também ser "sinais de amor" quando atingem uma "estabilidade consistente através de um laço público", ou quando a união é "caracterizada por uma afeição profunda".

Homossexuais

Francisco defendeu o respeito e a não discriminação aos homossexuais, mas ressaltou que as uniões de casais do mesmo sexo não podem ser consideradas casamentos.

"Todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, devem ser respeitadas em sua dignidade e acolhidas com respeito, procurando evitar qualquer sinal de discriminação injusta e, particularmente, qualquer forma de agressão e violência", disse o papa.

Francisco, porém, condenou as pressões por parte de entidades que defendem a legalização do casamento gay. "É inaceitável que as igrejas locais sofram pressões e que organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos países pobres à introdução de leis para instituir o casamento entre pessoas do mesmo sexo", disse. "Apenas a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher cumpre uma função social plena."

O texto diz ainda que as crianças devem ser ensinadas a dizer sempre "por favor", "obrigado" e a pedir desculpas. Elas devem ser punidas por mau comportamento e curadas do vício de "querer tudo já".

Além disso, o papa diz que os pais devem evitar que as crianças assistam programas de televisão que possam prejudicar os valores familiares.

Fonte: DW e Últimos Acontecimentos

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