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DILMA FARÁ NESTE ANO VISITA INÉDITA AO IRÃ, MAS CONTINUA REJEITANDO ISRAEL

Dilma Rousseff, aquela mesma que pediu para que o mundo "dialogasse" com o Estado Islâmico, que construiu uma mesquita-embaixada para a Palestina, mesmo ela ainda não sendo um país, a mesma Dilma que rejeitou o envio do embaixador israelense ao Brasil, rompendo relações com Israel, agora promete que fará uma visita inédita ao Irã... o mesmo Irã que tem na sua agenda, por exemplo, o "fim de Israel"...
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A presidente Dilma Rousseff combinou nesta quinta-feira (11), com o embaixador iraniano, Mohammad Ali, um significativo aumento da relação econômico-comercial, que terá como cereja do bolo uma visita presidencial a Teerã ainda neste ano.

O presidente iraniano, Hasan Rowhani retribuirá a visita no máximo em 2017, se não puder vir neste ano.

O embaixador Ali manifestou a Dilma o interesse iraniano em itens que soam como música aos ouvidos não só da presidente, carente de boas notícias, mas também do empresariado industrial, sufocado pela crise.

O Irã quer comprar táxis a gás em quantidade significativa, ônibus, caminhões e máquinas agrícolas.

Vahid Salemi/Associated Press
O presidente do Irã, Hasan Rowhani, nas comemoração dos 37 anos da Revolução Islâmica, em Teerã

Quer também importar "número considerável" de aviões da Embraer, a serem utilizados na reativação da aviação regional iraniana, um dos setores prejudicados pelas sanções impostas pelas Nações Unidas para obrigar o país a abandonar uma eventual vertente militar em seu programa nuclear.

A recente eliminação das sanções, formalizada no mês passado, é a base para a retomada de um relacionamento que chegou a ser razoavelmente intenso no período Lula (2003 a 2010).

O intercâmbio comercial passou de magros US$ 500 milhões em 2002 para US$ 2,18 bilhões em 2012. Mas caiu, no ano passado, para apenas US$ 1,66 bilhão.

DIVERSIFICAÇÃO

Os itens de interesse do Irã não só tendem, como é óbvio, a aumentar o volume de intercâmbio como a tornar mais rica a pauta brasileira de exportação, hoje concentrada em produtos básicos.

Dilma e os ministros presentes ao encontro (o chanceler Mauro Vieira e o titular de Minas e Energia, Eduardo Braga) disseram que o Brasil, em troca, se interessa pelo petróleo iraniano, considerado de alta qualidade e, por isso, ideal para o "mix" petrolífero brasileiro.

Mas se interessaram também pelas indústrias iranianas de bio e nanotecnologia.

O interesse iraniano será agora levado aos demais ministérios e também ao setor privado, para conhecer a disponibilidade para atender às eventuais encomendas.

Será criado um grupo de trabalho para organizar a cooperação, em tempo para receber a visita, em breve do chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif.

O chanceler já devia ter vindo, mas sua visita coincidiria com a cerimônia de levantamento das sanções, motivo pelo qual foi adiada.

Mas, no Fórum Econômico Mundial deste ano em Davos, Zarif manifestou à Folha o interesse pelo Brasil: "O Irã está aberto para o Brasil. Aberto para a cooperação econômica e para a cooperação industrial", disse o chanceler, o que o seu embaixador em Brasília ratificou nesta quinta, descendo a detalhes.

O Brasil entra, assim, na corrente de países que se apressaram a procurar Teerã tão logo as sanções caíram.

Via: Folha

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