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LÍDER DA OPOSIÇÃO MANDA RETIRAR QUADROS DE HUGO CHÁVEZ DO PARLAMENTO VENEZUELANO


Parabéns Venezuela!

Tão logo tomou posse como nova maioria na Assembleia Nacional, ontem, a oposição ordenou a remoção de cartazes e quadros que retratavam Chávez em momentos como seu último ato multitudinário debaixo de chuva, ou na tribuna das Nações Unidas, onde, referindo-se ao então presidente americano, George W. Bush, afirmou: "cheira a enxofre!".

O prédio amanheceu cercado de militares e de policiais para impedir a circulação de pessoas pela entrada da Assembleia.

Oliver Blanco, assistente do novo presidente do Parlamento, Henry Ramos Allup, mostra a um grupo de jornalistas um vídeo gravado logo cedo, no qual se vê o deputado na retirada das imagens de Chávez.

"Não quero ver um quadro aqui que não seja o retrato clássico do Libertador. Não quero ver Chávez, ou (Nicolás) Maduro, levando toda essa coisa para o Miraflores (sede do Executivo)", ordenou Ramos Allup.

Em outro trecho do mesmo vídeo, que circulou pelas redes sociais, Ramos Allup ironiza: "que levem para Sabaneta", em alusão à terra natal do ex-governante Chávez no estado Barinas, sudoeste do país.

Quase entre murmúrios, alguns funcionários da Assembleia disseram à AFP que as imagens de Chávez deviam ser resguardadas como "patrimônio nacional", enquanto outros comentavam que iriam parar em La Bonanza, o aterro sanitário de Caracas.

Repórteres da AFP constataram que os painéis de madeira removidos na manhã de hoje foram armazenados em uma sala do Palácio Legislativo.

Um guarda do Parlamento, que pediu para não ser identificado, contou à AFP que o retrato que descansava na tribuna do plenário desde a morte de Chávez, em março de 2013, foi retirado por deputados chavistas na última segunda, 4 de janeiro, antes da instalação da nova Assembleia Nacional.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reagiu com indignação, hoje, à retirada de imagens de Chávez e do líder da Independência Simón Bolívar.

"Não posso deixar de manifestar minha indignação, meu repúdio, e convocar à indignação", declarou Maduro em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão.

Ele convocou ainda que a população "se rebele frente a essas manifestações neofascistas, antibolivarianas, antipatriotas, antinacionalistas".

Maduro lembrou que lideranças da oposição adotaram ação semelhante durante o golpe de Estado que afastou Chávez, brevemente, do poder em abril de 2002, "quando chegaram ao Palácio de Miraflores e colocaram o quadro histórico de Bolívar em um banheiro".

"Não respeitam os sentimentos nobres de milhões de venezuelanos, a memória de um homem que, quando morreu, era presidente em função, comandante-em-chefe das Forças Armadas", denunciou, ao falar de Chávez.

Segundo ele, o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, também disse a Maduro ter sentido "uma indignação que chegou às lágrimas".

O deputado governista Víctor Clark, que atuou como secretário na sessão de posse, disse à AFP que, "pessoalmente", iria se encarregar de recuperar as peças que foram retiradas.

Em uma parede do prédio administrativo da Assembleia também está impressa a imagem dos olhos de Chávez, ícone principal da campanha chavista para as eleições parlamentares de 6 de dezembro passado. A imagem é muito usada pelo governo para atos oficiais.

"Aqui, é preciso ler muito bem qual é o mandato desta legislatura. Não creio que tenha sido desmontar a imagem de Chávez", declarou a deputada chavista Tania Díaz, em entrevista ao canal Globovisión.

Na frente do Palácio Legislativo, um grupo de funcionários da emissora de televisão do Parlamento, a ANTV, olha com indiferença para a remoção do imobiliário referente a Chávez. A maior preocupação agora é como o controle da oposição no Parlamento irá afetá-los.

Entre a noite e a madrugada de segunda-feira, os equipamentos da ANTV, como antenas e câmeras, foram retirados - segundo Ramos Allup, para impedir que transmitissem a instalação do Parlamento. A conta desse canal no Twitter está sem movimentação há cinco dias.

A jornalista da ANTV Betzaida Amaro disse esperar que chavistas e opositores deixem-nos "trabalhar em paz".

Via: UOL

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