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IRÁ O PETRÓLEO FICAR MAIS BARATO QUE A ÁGUA? CONTAGEM REGRESSIVA PARA O “CRASH” FINANCEIRO


Irá o crude (petróleo em bruto) ficar mais barato que a água e arrastar os combustíveis para níveis mínimos nunca vistos? Será difícil, mas, por exemplo, no Reino Unido, de acordo com um estudo comparativo realizado pela Euronews, já será mais barato comprar um litro de Coca-Cola do que ir a uma bomba de combustível e meter a mesma quantidade de gasolina num carro.

Nos Estados Unidos e no Reino Unido, aliás, o preço de petróleo em bruto já estará mesmo mais barato que comprar um litro de água numa das principais cadeias de supermercados locais. Em Portugal, comprar garrafões de água ainda é mais caro à proporção do que barris de crude, que comportam 159 litros (consultar infografia).

Na índia, a NDTV, anunciava segunda-feira que uma garrafa de água mineral já estava a ser comercializada mais cara que o crude. A relação tinha por base a queda do preço do “ouro negro” e a estabilidade do câmbio entre a rúpia e o dólar, os quais colocavam o litro de petróleo em bruto a valer 12 rúpias contra as 15 de uma garrafa de um litro de água mineral. Esta diferença, no entanto, nãio se refletiu no preçoo dos combustíveis junto do consumidor final indiano.

O preço do barril de Brent ronda por estes dias os 30 dólares. Às 16 horas desta quinta-feira fixava-se nos 30,59 dólares. A expectativa e o receio do setor é que possa vir a baixar ainda mais com a entrada em cena do Irão. “É muito difícil perceber até onde irá esta queda. Há 2 fatores-chave a ter em conta. Primeiro: a capacidade de armazenamento porque estamos a ficar sem capacidade, por isso o excesso está a sair por todos os lados. Segundo: uma maior capacidade virá ainda do Irão”, sublinha Justin Urquhart Stewart, da Seven Investment, admitindo que “estes dois fatores podem levar ainda a uma maior queda do preço do petróleo.”

O Irão ameaça entrar, assim, na equação e agravar ainda mais a crise nas empresas do setor, cujas receitas têm vindo a ser atingidas de forma negativa pela queda do valor do crude. A BP e a Shell, por exemplo, já anunciaram milhares de despedimentos para fazer face à quebra de receitas e à presente realidade do setor petrolífero.

O Irão fez saber esta semana estar a aguardar para sexta-feira o relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla inglesa) confirmando que Teerão respeitou todas as obrigações que lhe respeitavam no seguimento do acordo nuclear celebrado no ano passado com o grupo P5+1. Confirmando-se este relatório positivo, as sanções internacionais deverão ser levantadas e o Irão voltará a poder negociar livremente no mercado petrolífero internacional.

A república islâmica detém a quarta maior reserva de petróleo do mundo e admite aumentar de 2,8 milhões para 4,8 milhões de barris a produção diária. A IAEA admite que o Irão pode lançar no mercado cerca de meio milhão de barris de crude por dia assim que as sanções sejam levantadas. Com o setor já saturado na oferta, a entrada em jogo de Teerão pode levar a uma ainda maior queda do preço do crude e, quem sabe, a tornar a água num bem mais valioso que o “ouro negro.”

Por Francisco Marques

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