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“CRASH CHINÊS”? BOLSA DE XANGAI CAI 8,5%, O MAIOR RETROCESSO DIÁRIO DOS ÚLTIMOS OITO ANOS


A calma nas voláteis Bolsas da China durou exatamente duas semanas após sofrer a pior queda das últimas duas décadas. Os principais mercados do país voltaram a fechar na segunda-feira com fortes perdas: Xangai caiu 8,5% —sua pior queda diária em oito anos—, Shenzhen caiu 7% e Hong Kong retrocedeu 3,09%.

A volta dos números vermelhos lança dúvidas sobre se o amplo pacote de medidas aprovado pelo Executivo chinês para sustentar as Bolsas é suficiente para controlar os impulsos dos milhões de pequenos investidores que operam nos mercados. Os analistas atribuem a queda aos novos dados que mostram uma maior retração da economia chinesa e aos temores diante da iminente elevação dos juros nos Estados Unidos, mas a lógica dos pequenos investidores chineses —que movimentam até 85% do volume dos negócios— raramente está relacionada com fundamentos econômicos, de modo que seu comportamento é difícil de prever e explicar.

Os indicadores econômicos publicados durante o final de semana mostram uma queda da atividade do setor manufatureiro do gigante asiático e uma ligeira queda dos benefícios das grandes empresas industriais, mas os dados não afetaram de forma significativa os mercados durante a sessão matutina: até metade da sessão, Xangai tinha perdido somente 0,83%. Os investidores começaram a vender massivamente seus títulos uma hora antes do fechamento e a tendência cresceu nos últimos dez minutos até níveis desconhecidos. Mais de 1.500 ações das cerca de 2.200 cotadas nas duas bolsas ficaram automaticamente suspensas ao cair abaixo do limite de 10%. Somente 77 fecharam com lucro.

As Bolsas chinesas sofreram em junho seu pior comportamento em décadas. De novembro a julho, os mercados experimentaram uma forte euforia de alta durante a qual os dois principais índices do país chegaram a valorizar quase 150%. Em junho, os investidores entraram em uma espiral de vendas que provocou em menos de um mês a perda de um terço de seu valor e a evaporação de 2,9 trilhões de euros (10,76 trilhões de reais) em capitalização do mercado de valores, uma cifra que supera o PIB do Reino Unido. A metade das empresas cotadas nas duas principais bolsas suspenderam a negociação dos títulos para evitar mais perdas.

O Governo decidiu então lançar um programa de medidas sem precedentes para sustentar o mercado, entre as quais um programa de compra de ações através de uma linha de crédito do Banco Central, a diminuição dos juros, a suspensão de novas saídas da Bolsa e a proibição dos grandes acionistas das empresas cotadas de vender seus títulos nos próximos seis meses. Foi iniciada até mesmo uma investigação policial contra a “venda curta maliciosa” —até agora, nenhuma detenção foi informada.

A intervenção governamental, que ainda continua valendo, acalmou os investidores, estancou a sangria e conseguiu com que muitas das empresas voltassem a cotar nas Bolsas. Desde então e em somente duas semanas, os mercados de Xangai e Shenzhen valorizaram 15,5% e 21% respectivamente até esta segunda-feira. “O aumento recente foi rápido e forte, o que torna necessária uma correção técnica”, afirma Yang Hai, estrategista da Kaiyuan Securities, em declarações à Reuters. A retirada dos benefícios de muitos investidores que quiseram recuperar parte de suas perdas de junho também pode explicar a queda, especialmente após dois dias nos quais o índice de Xangai superou o limite psicológico dos 4.000 pontos.

Outro temor dos investidores é a retirada progressiva da ajuda estatal nas Bolsas. O FMI pediu recentemente à China que melhore urgentemente a transparência e levante as medidas de apoio “por sua preocupação sobre a capacidade dos investidores para entrar e sair dos mercados financeiros quando e como desejarem”, segundo a Reuters. O regulador do mercado de valores chinês negou veementemente essa possibilidade na semana passada diante da forte volatilidade que os mercados continuaram experimentando, mas na segunda-feira se espalhou o rumor de que alguns dos valores, sobretudo das grandes empresas chinesas, já não estavam sujeitos à muleta governamental. Muitos deles terminaram caindo 10%, o máximo permitido.

Via: http://brasil.elpais.com/

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