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COLAPSO: GRÉCIA NÃO PAGA DÍVIDA DE € 1,6 BILHÃO AO FMI E ENTRA EM MORATÓRIA

Manifestantes entram em confronto com policiais em Atenas durante protesto pelo 'Sim" (Foto: Marko Djurica / Reuters)

A Grécia não pagou a parcela de € 1,6 bilhão de sua dívida que venceu às 19h (horário de Brasília) desta terça-feira (30) e entrou em moratória (atraso), confirmou poucos minutos depois do prazo o Fundo Monetário Internacional (FMI), credor do pagamento. O país é a primeira economia avançada a ficar em atraso com o órgão.

A moratória acontece quando um país ou devedor declara não ter condições financeiras de cumprir suas obrigações.

O FMI também disse, em comunicado, que vai considerar pedido feito horas antes por Atenas para prorrogar o prazo do pagamento até novembro.

"Nós informamos à Assembleia de Governadores que a Grécia agora está em atraso e só poderá receber financiamento do FMI quando for resolvido", disse o porta-voz do FMI, Gerry Rice.

Também expirou, às 19h, o pacote de ajuda que entrou em vigor em 2012 e não foi prorrogado pelo Eurogrupo – já que não houve acordo entre Atenas e os credores.

Pela manhã, o ministro da Fazenda grego, Yanis Varoufakis, disse que não pagaria a parcela ao FMI. Tecnicamente, o fundo só considera calote o atraso de mais de seis meses no pagamento das dívidas, a partir da data do vencimento.

Pacote de socorro expira


Sem um acordo até o prazo, a última parcela da ajuda, de € 1,8 bilhão, não está mais disponível para a Grécia – e não foi prorrogada pelo Eurogrupo –, e títulos de € 10,9 bilhões para cobrir o custo de recapitalização dos bancos serão cancelados, informou nesta terça o EFSF – órgão criado em 2010 para ajudar países europeus afetados pela crise econômica.


A Grécia tentou nesta terça-feira como última "cartada" uma ajuda através do Mecanismo de Estabilização Europeia (ESM, na sigla em inglês) para conseguir a liberação de recursos. O recurso não funcionou.

Uma teleconferência do Eurogrupo – grupo informal de ministros das Finanças da Europa – foi realizada nesta terça para discutir a proposta grega. Segundo o ministro da Finlândia, no entanto, o pedido de ajuda pelo ESM terá que seguir "os procedimentos normais" – ou seja, vai levar tempo.

O Eurogrupo, no entanto, deve realizar uma nova teleconferência na quarta-feira às 11h30 (6h30 de Brasíllia).

Sem acordo
Manifestantes entram em confronto com policiais em Atenas durante protesto pelo 'Sim" (Foto: Marko Djurica / Reuters)

O Banco Central Europeu (BCE) e a União Europeia (UE) exigiram, em troca da ajuda financeira, que a Grécia fizesse uma série de reformas econômicas que incluem medidas como aumento de impostos e cortes nas aposentadorias. O esforço fiscal seria da ordem de € 2 bilhões. Mas a Grécia não aceitou fazer essas reformas.

Nas últimas semanas, houve diversas tentativas de acordo em negociações entre o governo grego e ministros da zona do euro, sem sucesso. A Grécia recusou as exigências, alegando que elas prejudicariam ainda mais a situação econômica do país.

Há ainda um fator político: o premiê grego, Alexis Tsipras, venceu as eleições em janeiro com a promessa de acabar com medidas de "aperto financeiro" como as do governo anterior.

Na sexta-feira (26), Tsipras convocou um referendo para que a população diga se quer ou não que a Grécia aceite as reformas econômicas impostas pelos credores. Em pronunciamento pela TV na segunda (29), o premiêpediu que os gregos escolham o "não".

O ministro da finanças grego, Yanis Varoufakis, indicou durante telefonema a autoridades europeias nesta terça que Atenas poderia cancelar o polêmico referendo se um acordo fosse alcançado nas últimas horas antes do vencimento da dívida com o FMI, segundo a Reuters.

Filas em caixas eletrônicos e bancos fechados
Aposentados tentam sacar seu benefício após bloqueio bancário anunciado pelo governo para evitar a quebra dos bancos (Foto: Petros Giannakouris / AP)

Assustados com a crise, os gregos iniciaram uma corrida aos bancos para retirar seu dinheiro das instituições. Com a onda de retiradas, o governo anunciou neste fim de semana "feriado bancário", que teve início na segunda.

RESUMO DO CASO:

- A Grécia enfrenta uma forte crise econômica por ter gastado mais do que podia.
- Essa dívida foi financiada por empréstimos do FMI e do resto da Europa
- Nesta terça-feira (30), venceu uma parcela de € 1,6 bilhão da dívida com o FMI, mas o país depende de recursos da Europa para conseguir fazer o pagamento.
- Os europeus, no entanto, exigem que o país corte gastos e pensões para liberar mais dinheiro. O prazo para renovar essa ajuda também vence nesta terça-feira
- Nesta terça, o governo grego apresentou uma nova proposta de ajuda ao Eurogrupo, que vai discutir o assunto nesta tarde
- No final de semana, o primeiro-ministro grego convocou um referendo para domingo (5 de julho). Os gregos serão consultados se concordam com as condições europeias para o empréstimo.
- Como a crise ficou mais grave, os bancos ficarão fechados nesta semana para evitar que os gregos saquem tudo o que têm e quebrem as instituições.
- Se a Grécia não pagar o FMI, entrará em "default" (situação de calote), o que pode resultar na saída do país da Zona do Euro.
- A saída não é automática e, se acontecer, pode demorar. Não existe um mecanismo de "expulsão" de um país da Zona do Euro.
- Se o calote realmente acontecer, a Grécia deve ser suspensa do Eurogrupo e do conselho do BC europeu.
- A Europa pressiona para que a Grécia aceite as condições e fique na região. Isso porque uma saída pode prejudicar a confiança do mundo na região e na moeda única.
- Para a Grécia, a saída do euro significa retomar o controle sobre sua política monetária (que hoje é "terceirizada" para o BC europeu), o que pode ajudar nas exportações, entre outras coisas, mas também deve fechar o país para a entrada de capital estrangeiro e agravar a crise econômica.

E se a Grécia declarar moratória?
Pensionistas aguardam em frente a uma agência fechada do Banco Nacional da Grécia, na esperança de receberem suas pensões, e discutem com um funcionário do banco em Iraklio, na ilha de Creta (Foto: Stefanos Rapanis/Reuters)

Sem o pagamento, o país pode declarar sua própria moratória – semelhante ao que foi feito na Argentina em 2002. A moratória acontece quando um país declara não ter condições financeiras de cumprir suas obrigações.

O FMI não tem nenhuma margem de manobra e ficará legalmente impossibilitado de emprestar dinheiro a Atenas.

A Grécia já usou uma cláusula no início de junho para reagrupar vários pagamentos e obter um alívio até o final do mês – ou seja, deixou acumular pagamentos que venceriam em datas distintas para quitar a soma no último vencimento. Essa soma é justamente o montante de € 1,6 bilhão que precisam ser pagos nesta terça.

Pelas regras do FMI, a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, teria um mês para informar à junta de diretores que representam os 188 países-membros da instituição sobre a moratória. Mas ela não esperará tanto tempo "dada a visibilidade e a importância do caso grego", afirmou um porta-voz do FMI.
Manifestantes protestam em frente ao Parlamento grego em Atenas nesta terça-feira (30) (Foto: Reuters/Yannis Behrakis)
Um homem saca 60 euros, o limite máximo diário, em um caixa eletrônico em Piraeus, perto de Atenas, na Grécia. Nesta terça (30) termina o prazo para que o país pague uma parcela de 1,6 bilhão de euros ao FMI e continue na Zona do euro (Foto: Yannis Behrakis/Reuters)

Manifestantes reúnem-se em frente ao BC Europeu em favor da Grécia, em Londres, nesta segunda-feira (29) (Foto: Reuters/Neil Hall)

Via: G1

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