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GOVERNO DA VENEZUELA LANÇA “TWITTER BOLIVARIANO” E “ FACEBOOK CHAVISTA”

Red Patria: plataforma venezuelana para interconectar os movimentos sociais.
De um lado, a imprensa livre cada vez mais acuada. Do outro, investimentos feitos pelo governo da Venezuela na área da comunicação continuam aumentando. Esta semana estreou a Rede Pátria, a plataforma digital chavista que surpreendeu governistas e opositores. Segundo o governo, ela foi criada para apoiar a construção do socialismo e facilitar a organização entre comunidades com interesses em comum, enfatizando os coletivos, como são chamadas as milícias financiadas pelo Estado e que são acusadas de assediar opositores.


Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas.

A “Mochuelo”, uma das plataformas da Rede Pátria, chama a atenção pela finalidade com que foi criada: “alertar para situações que tornam vulneráveis os direitos do povo”. O propósito não é explícito, mas suscita a ideia do que é chamado por aqui de “patriota cooperante”, pessoas que delatam os dissidentes ao governo, e é um dos temores da sociedade venezuelana.

De acordo com o Ministério da Comunicação, esta plataforma funciona como alternativa às redes “mercantilistas” e que segundo este órgão são usadas por alguns governos para controlar e espionar pessoas em todo o mundo. Embora tenha uma aparência rudimentar, a Rede Pátria engloba seis plataformas, todas elas com referências a pássaros da fauna local.

Os nomes parecem ter sido inspirados no pitoresco episódio em que o presidente Nicolás Maduro conversou com um pássaro dias após da morte de Hugo Chávez. Daí surgiram Colibri, que funciona como sistema de mensagens; Cardenalito, o Twitter bolivariano; Nido, ninho, que é o Facebook chavista. O logotipo é um quadro com as cores da bandeira venezuelana e, ao menos por enquanto, não há destaque para a figura de Chávez ou de qualquer ídolo da revolução bolivariana.

Regras para uso

Além dos dados tradicionais, para se cadastrar na Rede Pátria é obrigatório fornecer o número da carteira de identidade, informação bastante delicada por aqui. É com este documento que os cidadãos podem comprar a cada semana os produtos tarifados pelo governo, se inscrever em programas de benefícios sociais e poder votar. Ou seja, este é um dado imprescindível no cotidiano e uma das formas mais eficientes de controlar o cidadão.

Outro destaque recai nos termos de uso da Rede Pátria. Por aqui, o direito à propriedade privada não é levado ao pé da letra, mas nesta rede social é terminantemente proibida a reprodução de qualquer material que viole a lei de Direitos de Autor, o que chama bastante atenção tendo em vista que existem vendas de CDs piratas inclusive em edifícios estatais.

Um parágrafo destaca que os conteúdos são revisados diariamente e que estes podem ser apagados sem prévio aviso. Nestes tempos de escassez, muitas pessoas têm recorrido às redes sociais tradicionais para a compra e venda de produtos, mas esta prática está proibida na Rede Pátria. No entanto estão permitidos anúncios de atividades que “promovam o intercâmbio solidário distanciado dos conceitos capitalistas de mercado”.

Controle da informação

Até o momento, o governo não se pronunciou sobre a aceitação da rede social chavista. Mas a novidade tem gerado curiosidade e certo temor. Curiosidade, porque as pessoas querem saber de que se trata, como funciona. E temor pelo receio de que as informações divulgadas nas páginas sejam utilizadas para perseguir pessoas críticas ou contrárias ao governo do presidente Nicolás Maduro.

Vale lembrar que já há alguns anos a população recorre ao Facebook, Twitter e mensagens de texto via celular para se manter informada, então a criação da Rede Pátria pode significar uma manobra para limitar o fluxo informativo entre os cidadãos, já que os meios tradicionais de comunicação a cada dia estão mais limitados pelo assédio governista.

As rede sociais podem significar maior unidade entre os seguidores do chavismo, que vêm sofrendo forte perda de penetração social, o que é traduzido na queda da popularidade do presidente Nicolás Maduro e no enfraquecimento do chavista Partido Socialista Unido da Venezuela.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, as eleições parlamentares serão realizadas no último trimestre do ano, e a rede social pode ajudar na manutenção da base já existente, sobretudo em um período em que a escassez vem se generalizando em todos os setores do país, sobretudo no de alimentos e de medicamentos.

Via: http://www.portugues.rfi.fr/

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