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Reviravolta: Na Venezuela, coletivos paramilitares chavistas passam a fazer oposição a Maduro

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Polêmicas, as milícias armadas chavistas, geralmente chamadas de “coletivos”, agora participam da força de oposição ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. Os coletivos são grupos paramilitares urbanos, armados por Chávez durante seu mandato, que se tornaram conhecidos mundialmente após atacarem manifestantes anti-Maduro a pedido do governo durante os protestos desde ano. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em fevereiro, quando o coletivo Tupamaros abriu fogo contra estudantes.



Mas a situação mudou. Não são poucos os coletivos venezuelanos que estão lançando notas de repúdio ao governo Maduro após uma de suas forças policiais assassinar José Odreman – então líder do coletivo 5 de Março – e mais quatro integrantes da milícia. Os policiais alegaram que os mortos faziam parte “de uma quadrilha que estava sendo investigada por várias mortes” e se referiram à Odreman como “assassino e delinquente”.

Desde então, o 5 de Março tem lançado ameaças contrárias aos interesses de Maduro e se dizem insatisfeitos com as medidas que o presidente vem tomando. Para eles, existe uma perseguição aos coletivos que outrora foram parte do braço armado do Estado.

“Quando precisou, o governo nos chamou para lidar com manifestantes, já que a polícia não dava conta. Agora, somos apresentados como bandidos. Da próxima vez, não só não atacaremos manifestantes como nos uniremos a eles.”, afirmou Alan Perez (nome fictício), membro do 5 de Março, à Folha de S. Paulo.

No Twitter, o grupo tem acusado Maduro e outros membros de seu governo de serem os responsáveis diretos pela morte de Odreman e seus aliados no dia 7 de outubro.


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ESTOS SON LOS UNICOS RESPONSABLES DE LA MUERTE DE NUESTROS CAMARADAS. COLECTIVOS UNIDOS CONTRA ESTOS ASESINOS!!!


Além das acusações, os milicianos ainda pedem a prisão de 3 supostos envolvidos nos assassinatos cometidos pela polícia: o Ministro do Interior, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, o Presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello e o Diretor do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais, José Gregorio Sierralta. O grupo ainda tem demonstrado forte apoio ao ex-presidente Chávez, enquanto desprezam seu sucessor.

“As pessoas estão muito descontentes com as filas para conseguir produtos básicos e com a falta de remédios e alimentos. Isso não acontecia com Chávez.”, afirma Igor Luengo, um membro do coletivo Juan Montoya, cujo líder homônimo foi assassinado de maneira pouco clara durante protestos antichavistas.

As acusações contra a cúpula do atual governo, no entanto, não são novas. Momentos antes de ser assassinado, Odreman já acusava Miguel Rodríguez Torres pela violência dirigida contra o grupo e acreditava que poderia ser o próximo.

“Eu atribuo ao Ministro de Interior toda a responsabilidade sobre qualquer coisa que aconteça comigo hoje. Camaradas demais já foram sacrificados. Já basta, já basta!”, afirmava Odreman à mídia pouco antes de ser baleado por integrantes da polícia investigativa.



Desarmamento

Além das polêmicas em volta da morte de José Odreman, os coletivos também estão travando uma guerra contra Maduro por sua política de desarmamento.

As milícias se recusam a obedecer o pedido do governo para entregarem suas armas. Segundo eles, isso soa como uma ofensa, já que os grupos “lutam pela revolução de forma pacífica”, apenas combatendo criminosos, traficantes e opositores da revolução.

“Nos parece totalmente absurda essa decisão de pedir aos coletivos de trabalho revolucionário que se desarmem no mesmo nível que pedem a qualquer gangue criminosa. Não! Não somos gangues criminosas, somos organizações revolucionárias”, afirmava uma nota veiculada pela imprensa com a assinatura de 260 coletivos venezuelanos.

“Temos que desarmar os delinquentes”, disse Jhonny Subera, membro do coletivo Força Comunal 4F, àAFP.



Armados por Chávez e até então protegidos pelo governo e pela polícia, os grupos hoje encaram o desarmamento promovido por Maduro como mais uma das diversas formas de repressão aos coletivos que vem sendo executadas pelo atual presidente.

“Estamos cansados de sermos bobos úteis do governo”, diz Igor Luengo.

“Os coletivos comprometem-se a contribuir com essa política de desarmamento usando as suas [armas] para este fim, se necessário, dentro dos estritos limites da lei”, disse uma nota emitida pelo coletivo 5 de Março. Os membros do coletivo afirmaram que as suas armas são instrumento de defesa das comunidades onde atuam, que estão à margem da cobertura policial.

Para o governo, no entanto, a política de desarmamento é uma medida que visa proteger a população e uma tentativa de reduzir a taxa de homicídios no país, que em 2013 atingiu a marca de 24.700 mortes, o que soma quase 3 pessoas sendo assassinadas a cada hora. Destas, pelo menos 2.680 ocorreram em Caracas, cidade que já detém o título de capital mais violenta do mundo.

A expectativa dos oficiais é que todos os anos pelo menos 200 mil armas ilegais sejam entregues nos mais de 60 postos de coleta para que o plano de desarmamento possa surtir algum efeito.
 Estimativas apontam que existam hoje entre 2,9 milhões e 15 milhões de armas ilegais no país. 

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