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Ariovês – ou Gramsci no púlpito

As teses mais controversas são ensinadas nas universidades sem qualquer margem para refutações porque são recebidas como corretas a priori.

O mesmo se dá no arraial protestante em relação aos ensinamentos dos radicais da Teologia da Missão Integral. Tudo é recebido como correto a priori.

É a prova do sucesso de um método de infiltração de um determinado conjunto de ideais e conceitos nos principais centros de produção cultural: igrejas, universidades, escolas, imprensa, etc.

É por isso que o teólogo e filósofo Ariovaldo Ramos consegue resumir, em uma única frase, erros históricos grosseiros e proselitismo ideológico mal-disfarçado sem receber qualquer refutação; no lugar dela, elogios à sua sensibilidade e inteligência.

Dias desses, Ariovaldo presenteou o mundo com a seguinte pérola (e aqui transcrevo exatamente como o erudito pastor escreveu):

“Antes, evangelho era o relato das conquistas do império romano, depois do Cristo, o evangelho é o relato do triunfo do Cristo pela feitura da redenção. Falar o Evangelho é relatar o avanço da redenção na história e na sociedade, e anunciar como pessoas e comunidades podem ser incluídas nessa tão grande salvação.”

Ariovaldo associa o “evangelho” às conquistas do Império Romano. E diz que ele só ganhou novo conteúdo com a chegada de Cristo. O problema é que o Evangelho é a boa nova de Cristo.
A boa nova é a narrativa do nascimento milagroso, ensinamentos, crucificação e ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, o Evangelho é a obra viva do Filho de Deus.

O Evangelho e a vida de Cristo são a mesma coisa!

Como ele pode dizer, então, que o Evangelho já existia e mudou com a chegada de Cristo?
No mundo poético de Ariovaldo Ramos talvez “evangelho” com e minúsculo signifique alguma outra coisa que, é claro, ele não teve paciência de explicar aos seus pobres leitores.

O pior vem a seguir com a nada cristã ideia de “redenção na história”.

Como se chamam aqueles caras barbudos que acreditam que a história caminha, inexoravelmente, para um determinado fim? Ah, sim, marxistas.
São eles que acreditam que o fim da história é o estabelecimento da sociedade humana perfeita, a redenção dos homens através de um novo sistema político-econômico.
A tese de Ariovaldo não recebe contestação porque, é claro, é aceita acriticamente pelo seu público como correta a priori.
Mas Ariovaldo sempre pode fazer pior. E fez mesmo:

“…anunciar como pessoas e comunidades podem ser incluídas nessa tão grande salvação”.

O conceito de salvação, em ariovês, ganha outro significado. A salvação, para o erudito pastor, não é necessariamente pessoal e, na verdade, pode abranger comunidades inteiras!

É claro que ele não está falando de salvação da alma. Ariovaldo Ramos respira política e inspira ideologia. Ele fala da salvação em sentido indisfarçadamente político, tanto é que, sintomaticamente, faz referência a palavra mais amada da esquerda: inclusão.

Os marxistas já inventaram a inclusão social, democracia social, justiça social e direito social.
E agora, em ariovês, já existe a salvação social.

É a cultura, estúpido!

O diabolicamente genial Antônio Gramsci escreveu no 23º de seus Cadernos do Cárcere:
“Cultura é uma concepção de mundo e de vida, coerente, unitária e de difusão nacional; é uma religião laica. Uma filosofia que se tornou cultura gerou um modo de viver, uma conduta civil e individual”.

A velha escola marxista-leninista acreditava em uma revolução violenta, com a tomada do Estado, e a conseqüente aniquilação dos inimigos do povo. O problema é que a revolução precisava do povo para acontecer. E este não aderia…

Diante da recusa dos proletários em seguir os revolucionários, Gramsci discordou do roteiro da escola marxista-leninista e propôs algo completamente novo.

Para o intelectual italiano, a revolução tinha que vir de dentro, gradualmente, pela tomada pacífica dos meios de produção cultural. Em outras palavras, era preciso levar os valores revolucionários para dentro das escolas, dos jornais e…das igrejas.

O cristianismo deveria ser capturado e, gradualmente, remodelado de acordo com a versão revolucionária. Cristo tinha que parecer um líder comunista primitivo.

Para Gramsci, cultura é simplesmente expressão de poder. E era preciso empreender uma verdadeira guerra cultural para que a ideologia certa dominasse todos os pilares da sociedade que, quando estivesse totalmente contaminada, estaria pronta para a revolução.

Todas as ideias e valores da sociedade, incluindo as religiosas, estão em disputa.

Apesar de odiar o catolicismo, e o cristianismo como um todo, Gramsci reconhece a necessidade de superar a religião. Mas sem exterminar os religiosos.

O método gramsciano consiste em contrabandear os valores revolucionários, resiginificando conceitos originais de em cada campo de batalha cultural.

Não é por acaso que Ariovaldo Ramos costuma falar de Reino de Deus e socialismo na mesma sentença, tampouco é por acaso que ele acredite em salvação comunitária.

É claro que nenhum esquerdista anda com os Cadernos de Gramsci debaixo do braço. A obra do italiano simplesmente deu à esquerda revolucionário um novo Norte.

A esquerda sabe que a prioridade não é economia. É a cultura!

Desde Gramsci não se toma o poder antes de se tomar os corações e as mentes.

É por isso que temos alguém como Ariovaldo Ramos oferecendo novas interpretações a conceitos chaves do cristianismo, confundindo Reino de Deus com socialismo e contrabandeando valores revolucionários para o arraial protestante.

Por Júlio Severo

Via:www.juliosevero.com

Um comentário

Rose disse...

È este cidadão trata a bíblia como se fosse uma "agenda".
E não é por nada; religioso que trata com Deus ele tem uma bíblia.
E religioso que se esconde atras de uma bíblia esta com uma "agenda" para usar a seu "BEL" prazer.
E no Brasil esta cheio deste que estão escondido atras da Bíblia.