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Liberou geral? Pastor da Igreja Hillsong dá sinais de mudança de tom sobre o Casamento Gay

O pastor de uma das mega igrejas mundiais mais influentes declarou que sua igreja está com “uma conversa em andamento” sobre o casamento de mesmo sexo – dizendo que é adequado considerar as palavras da Bíblia junto com a mudança de cultura e da experiência das pessoas nos bancos.




Brian Houston é pastor sênior da Igreja Hillsong, que tem igrejas em uma dúzia de grandes cidades, incluindo Nova York

Os comentários de Brian Houston, pastor sênior da Hillsong, imediatamente atrairam uma preocupação da direita e aplausos da esquerda, com tantas denominações e congregações cristãs que estão fazendo um grande esforço em buscar uma forma de como responder à rápida expansão dos direitos dos homossexuais e da legalização do casamento homossexual.

A igreja do Sr. Houston, que está sediada na Austrália, é conhecida em grande parte como uma potência musical por causa da popularidade de suas gravações de músicas contemporâneas de adoração cristã, mas a sua congregação de jovens é grande – cerca de 100 mil adoradores semanais vão às igrejas em uma dezena de grandes cidades, incluindo Nova York e Los Angeles – e seu alcance cultural é amplo.

Os líderes da Hillsong tem evitado a condenação da homossexualidade, por algum tempo, e o pastor da igreja da Hillsong em Nova York, Carl Lentz, recusou-se a tomar uma posição pública sobre o casamento homossexual. Mas os comentários do Sr. Houston, feitas em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira em Nova York, foram marcantes pela sua afirmação de que as igrejas cristãs têm causado sofrimento em alguns cristãos gays e pela sua sugestão de que a questão do casamento homossexual não está resolvida.

“O mundo em que vivemos, quer gostemos ou não, está mudando ao redor e sobre nós”, disse ele. “O mundo está mudando, e queremos permanecer relevantes como igreja, então isso é uma coisa incômoda”.

O Sr. Houston, como tem feito nos sermões, observou com tristeza a experiência de filhos homossexuais que crescem em igrejas cristãs, dizendo que alguns se sentem rejeitados por seus pastores de jovens ou até mesmo pelos seus pais e que, como resultado, alguns jovens “estão literalmente deprimidos, talvez até queiram se suicidar e, infelizmente, muitas vezes crescem para odiar a igreja, porque eles sentem que a igreja os rejeitou”.

Ele disse que viveu “pelo que a Bíblia diz”, e seu porta-voz disse nesta sexta-feira que o pastor pessoalmente concordou com o ensino tradicional cristão sobre a sexualidade. Mas o Sr. Houston disse que não acha que seria construtivo delinear uma posição pública sobre o casamento homossexual.

“É muito fácil de reduzir o que você pensa sobre a homossexualidade em apenas uma declaração pública e que iria manter um monte de gente feliz”, disse ele, “mas nós sentimos neste momento, que há uma conversa em andamento, de que os problemas reais na vida das pessoas são muito importante para nós, para apenas reduzi-la em uma resposta de sim ou não em um canal de mídia. Por isso, nós estamos caminhando com isso”.

Algumas das igrejas da Hillsong parecem estar abertas a gays e lésbicas. Josh Canfield e Reed Kelly, um casal gay que são destaque na atual temporada de “Survivor”; cultuam e cantam no coro da Hillsong de Nova York; o Sr. Canfield é um diretor do coro voluntário na igreja.

Os comentários do Sr. Houston foram bem recebidos por Matthew Vines, um jovem evangélico gay que está tentando convencer o mundo evangélico de que a fé na Bíblia não está em desacordo com a abertura a gays e lésbicas.

“É a Hillsong influente principalmente pela doutrina e a teologia? Não, não é, mas a sua música é tão evangélica quanto se pode chegar, em termos de alcance e impacto, e isso é muito significativo “, disse Vines.

Mas Andrew Walker, o diretor de estudos de políticas para a Ética e Comissão de Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, expressou preocupação sobre as declarações do Sr. Houston, ele escreveu no blog da revista “First Things”, “vamos deixar claro que esta não é a via da fidelidade”, e chamou a Hillsong de “uma igreja que está trocando a compaixão por covardia perante o concílio da cultura”.

As observações do Sr. Houston sobre o casamento homossexual foi um dos vários casos nesta semana em que ele e sua igreja se diferenciaram de outros segmentos do mundo evangélico.

Sua esposa, Bobbie Houston, que também é pastora sênior da Hillsong, respondeu a uma pergunta sobre o papel das mulheres nas igrejas evangélicas, dizendo: “Realmente, a igreja precisa sair da infância, ocasionalmente, e tornar-se adulta”. A Hillsong permite que as mulheres preguem e ensinem; muitas igrejas evangélicas não.

E numa época em que muitos líderes religiosos estão na defensiva sobre a questão do abuso sexual do clero, o Sr. Houston ofereceu várias descrições dolorosas, às vezes auto-críticas, de como ele lidou com a descoberta há 15 anos, de que o seu próprio pai, que também é um pastor pentecostal, era um pedófilo. O episódio voltou aos olhos do público, porque na semana passada o Sr. Houston testemunhou sobre ele perante uma comissão real de investigação institucional em resposta ao abuso sexual de crianças na Austrália; em Nova York, ele falou com a imprensa sobre o assunto na quinta-feira e, em seguida, com 5.500 pessoas que estão participando de uma conferência da Hillsong na sexta-feira no Madison Square Garden.

Ele disse que acreditava que tinha feito a coisa certa, removendo o pai do ministério assim que tomou conhecimento de uma alegação de abuso. No entanto, disse ele, em retrospectiva, ele deveria ter informado a polícia no momento em que soube, apesar de a vítima lhe pedir para que não o fizesse.

“Há uma diferença entre ser cheio de piedade e ser transparente”, disse ele na sexta-feira, explicando porque escolheu falar sobre o assunto. “A autenticidade sempre funciona, em qualquer situação”.


* Artigo traduzido por mim, original no “The New York Times” aqui: Megachurch Pastor Signals Shift in Tone on Gay Marriage

Via: http://dcvcorp.com.br/

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