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6 de jan de 2013

A próxima Chernobyl? Usina Nuclear iraniana corre SÉRIO risco de VAZAMENTO

Postado por Alexandre do Couto
Correspondente no Cone Sul


O confronto sobre o programa nuclear iraniano provavelmente se intensificará em 2013 à medida que as sanções endureçam, Israel ameace realizar ataques militares, e as centrífugas continuem girando. Embora a maioria das atenções se concentre nos dois locais mais frequentemente discutidos de enriquecimento de urânio - Natanz e Fordo -, um terceiro local no golfo pode ser o coringa nuclear mais perigoso deste ano.

Espremida entre dois sonolentos vilarejos de pesca costeiros, a usina de energia nuclear de Bushehr há muito vem sendo vista como a face "aceitável" do programa nuclear iraniano. Construída por engenheiros russos e monitorada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ela já está produzindo eletricidade e a maioria dos especialistas nucleares concorda que ela não merece o mesmo nível de preocupação com sua utilização para fins militares que outras instalações nucleares do Irã.

Bushehr, no entanto, pode se tornar o local mais perigoso do quebra-cabeça nuclear iraniano por outra razão: um planejamento caótico e atuais problemas técnicos poderão fazer dela a próxima Chernobyl, provocando um desastre humano e danos econômicos explosivos por toda a região rica em petróleo.


Problemas técnicos nos últimos 12 meses suscitaram sérios temores sobre a capacidade do Irã de operar a instalação de maneira competente.

A planta foi fechada em outubro para limitar danos potenciais após a descoberta de porcas soltas embaixo de suas células de combustível, segundo uma fonte industrial russa. Autoridades ocidentais manifestaram preocupação sobre a usina depois que um relatório da AIEA afirmou em novembro que o Irã havia informado a agência sobre transferências inesperadas de combustível. Na semana passada, o emir do Kuwait, xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, conclamou Teerã a trabalhar em colaboração mais com a AIEA "para garantir a segurança dos Estados da região e seus povos".

Enquanto isso, cientistas russos adiaram a transferência das operações para suas contrapartes iranianas. Ela agora deve ocorrer em março. É preocupante também o fato de que Bushehr está situada sobre uma falha geológica ativa, aumentando os riscos de uma catástrofe do tipo Fukushima. A menos que se tomem providências, a probabilidade de um acidente é alta demais para a comunidade internacional ignorar.

Um derretimento nuclear em Bushehr do tipo que ocorreu em Chernobyl causaria graves danos não somente ao sul do Irã, mas também aos seis países ricos em petróleo e gás do Conselho de Cooperação do Golfo, que são Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Aliás, as capitais desses Estados estão mais próximas de Bushehr que Teerã. A radiação nuclear no ar e na água provocaria o colapso da navegação no Estreito de Ormuz, o mais importante gargalo de passagem do petróleo mundial. Os preços do petróleo disparariam. A economia mundial seria açoitada por um furacão.

Contaminação. Com os ventos principais soprando de leste para oeste no golfo e as correntes costeiras que circulam no sentido anti-horário, a precipitação radioativa contaminaria campos de petróleo e plantas de dessalinização que fornecem água potável para os habitantes locais. Isso seria um desastre monumental para os Estados do golfo que dependem da água das usinas de dessalinização, e também ameaçaria a 5.ª Frota da Marinha americana, estacionada no Bahrein.

Não podemos ignorar esse problema em formação. Apesar de os olhos estarem fixos em outros locais-chave nucleares - Fordo e Natanz -, Bushehr requer mais atenção. A AIEA deveria iniciar urgentemente uma extensa avaliação das vulnerabilidades de segurança na usina nuclear iraniana. Tanto o desastre de Chernobyl, em 1986, quanto o acidente em Fukushima, em 2011, reforçam a realidade de que o inesperado pode ocorrer em usinas de energia nuclear. Esses eventos reforçam também a importância de se ter uma capacidade de resposta de emergência integrada nos níveis locais, regionais e nacionais.

A história de Bushehr é preocupante. Iniciada em 1975 com engenheiros alemães, interrompida após a revolução de 1979, e reiniciada com a ajuda da Agência de Energia Atômica Russa, conhecida como Rosatom, ela tem padecido de atrasos e problemas técnicos desde o começo.

Em agosto de 2010, após vários anos de atraso, a usina tornou-se oficialmente operacional quando hastes de combustível foram transportadas para o reator. Depois de não mais de seis meses de operação, o reator teve de ser desligado por problemas no sistema de resfriamento, que foram atribuídos aos componentes de fabricação alemã.

Segundo Gholamreza Aghazadeh, o ex-diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, os problemas eram anomalias de projeto. Ele declarou que 24% das partes e equipamentos usados na usina de Bushehr eram alemães, 36% iranianos e 40% russos.

Não é assim que se faz uma usina de energia nuclear segura. Além disso, há sérias dúvidas sobre a capacidade do regime iraniano de responder a um desastre nuclear de grandes proporções. O Irã é o único país que opera uma usina nuclear que não assinou a Convenção de Segurança Nuclear de 1994. A comunidade internacional deve pressionar o Irã a assinar a convenção com o mesmo vigor que pressiona o Irã para revelar informações sobre seus locais suspeitos de fabricar armas. Mesmo países como Israel, Índia, e Paquistão - que não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares - assinaram a Convenção de Segurança Nuclear.

Tratados são importantes, é claro, mas não são suficientes. Os vizinhos do Irã deveriam trabalhar com os EUA e outras grandes potências sobre esforços de uma resposta rápida para mitigar os efeitos de um potencial desastre. A ONU precisa criar um comitê Bushehr para estudar os problemas da usina e oferecer assistência técnica para reduzir ao mínimo o risco de um acidente.

A AIEA deve se concentrar na segurança da usina de Bushehr com a mesma atenção aos detalhes que usa para detectar qualquer programa de desenvolvimento de armas. Centenas de milhares de vidas dependem disso, assim como os mercados mundiais de petróleo, a economia global e a segurança coletiva mundial. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso%2ca-proxima--chernobyl-%2c980826%2c0.htm

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